Ao longo dos anos, o Campeonato Nacional de Empresas já angariou quase 70 mil euros para solidariedade. Em 2008, mais uma vez, cinco por cento do valor das inscrições será entregue a uma instituição de solidariedade social, que este ano é a SIC Esperança.

Já fechou algum negócio no campo de golfe?
Francisco Pinto Balsemão
(Presidente da Impresa)
“É com renovado orgulho que o Expresso dá o seu nome a uma prova que se tornou incontornável no panorama do golfe e do desporto para empresas em Portugal”
Fernando Ulrich
(Presidente da Comissão Executiva do BPI)
“Ao comemorar 10 anos de existência, o Expresso BPI Golf Cup é sinónimo de qualidade, rigor, inovação, liderança e solidariedade”
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Tudo começou em 1939
Golfe nos Açores é uma história com futuro

O primeiro campo de golfe dos Açores surgiu em 1939, nas Furnas, em S. Miguel e foi desenhado pelo escocês MacKenzie Ross (na fotografia). 

A origem dos Açores é desconhecida e alguns investigadores situaram na Região Autónoma a lenda da Atlântida. A única certeza documentada é a descoberta da ilha de Santa Maria em 1432 por Gonçalo Velho Cabral, mas há fortes indícios de que o arquipéla go já era conhecido por navegadores portugueses antes dessa data.

Do mesmo modo, a origem do golfe nos Açores também está perdida nas brumas da memória e necessitaria de uma séria investigação histórica, mas sabe-se que os seus dois pólos de desenvolvimento, em São Miguel e na Terceira, têm raízes culturais bem distintas que determinaram em grande parte as singularidades que ainda hoje se manifestam na prática da modalidade em ambas as ilhas.

Em São Miguel, o golfe surge por obra e graça de uma poderosa família portuguesa, a Bensaude, que iniciou uma odisseia empresarial nos Açores em 1820, como importadora e distribuidora de têxteis oriundos do Império Britânico.

Embora não caiba aqui explanar a história desta família, vale a pena dizer que, com o passar das décadas, os seus interesses alargaram-se aos mais diversos sectores de actividade como o agro-industrial, o financeiro, a navegação e pescas, indústrias de tabaco, açúcar e álcool, energia e combustíveis. Ainda hoje a SATA e o Banco Comercial dos Açores são bons exemplos de empresas cuja história remonta à família Bensaude.

É em 1933 que Vasco Bensaude decide expandir o grupo empresarial familiar ao sector do turismo e cria a Sociedade Terra Nostra, adquirindo terrenos desde o parque botânico ao actual campo de golfe Furnas.

Três anos mais tarde, em 1936, Vasco Bensaude contrata o escocês Mackenzie Ross - famoso por vários desenhos, entre os quais o de Turnberry na Escócia - para conceber um percurso de nove buracos, inaugurado em 1939.

É um dos mais antigos campos de golfe portugueses, a par do Oporto Golf Club (1890), Lisbon Sports Club (1922), Miramar e Vidago (ambos em 1934) e o Santo da Serra (1936), todos com forte influência britânica.

Até 1957 a história das Furnas é tão misteriosa como o triângulo das Bermudas, mas relatos das décadas de 40 e 50 do século XX dão-no como votado ao abandono, com o 'rough' a invadir os fairways, estes destinados a pasto de vacas, greens mal tratados e tees praticamente inexistentes.

 

Acto de heroísmo

O golfe só ressuscitou devido a um curioso acto de heroísmo. Augusto Arruda era o presidente da Sociedade Terra Nostra, que detinha a propriedade dos 9 buracos nas Furnas, e a sua filha adoeceu gravemente. A salvação veio encarnada no Almirante Paulo Viana, que se voluntariou numa aeronave rudimentar, para trazer-lhe o medicamento que veio a revelar-se providencial.

Augusto Arruda nunca esqueceu o gesto e quando Paulo Viana, em 1957, regressou a S. Miguel, para assumir o posto de Governador Militar, trouxe com ele o gosto pelo golfe e a vontade de recuperar o Furnas. O seu desejo concretizou-se.

Em 1960, o Almirante reuniu cinco dezenas de pessoas no Clube Micaelense e revelou o seu sonho de fundar um clube de golfe na Ilha. O Clube de Golfe de S. Miguel nasceu em 1961 e a prática do golfe, enquanto puro entretenimento, manteve-se até 1986.

Foi nessa altura, dez anos depois da constituição das Regiões Autónomas ter proporcionado linhas de um desenvolvimento sustentado nos mais diversos sectores, que foi constituído o VerdeGolf S.A. Country Club. A sua estrutura integrava 92% de capitais públicos dependentes do Governo Regional dos Açores e 8% de privados, designadamente a SATA, alguns hotéis e empresas de rent-a-car.

Entretanto, por esta altura, já o golfe estava bem arreigado na outra ilha de fortes tradições na modalidade. O Clube de Golfe da Terceira foi fundado em 1954 e, como não poderia deixar de ser, é difícil estabelecer com precisão os seus primeiros passos, a começar pelo arquitecto ou autor do desenho, um perfeito desconhecido.

Poderemos afirmar com segurança que a sua criação deve-se aos norte-americanos estacionados na Base Aérea nº4 das Lajes, mas a presença lusa era irrelevante. Conta Nelson Ramalho, o comentador de golfe da SportTv: «em 1955 ou 1956 era um campo completamente descampado, aberto e sujeito às intempéries. As conhecidas criptoméreas que ladeiam actualmente os fairways nem sequer estavam plantadas. Éramos somente seis sócios portugueses, os outros eram todos americanos da Base Aérea. O meu pai, Guilherme, era o sócio nº5, a minha mãe, que foi a primeira senhora jogadora de golfe nos Açores, o nº5A, tal como eu. Ainda hoje sou o sócio nº5, o que me confere a honra de ser o sócio jogador mais antigo do clube. Os primeiros quatro sócios são institucionais: o Presidente do Governo Regional, o Presidente da Câmara Municipal, o Ministro da República e o Comandante da Base Americana, embora não saiba por que ordem».

 

Golfe acessível na Terceira

É só em 1976, com a constituição formal da Região Autónoma dos Açores, que começa a esboçar-se o actual figurino do golfe na Terceira, dado o apoio do Governo Regional aos sócios fundadores, a Força Aérea Portuguesa e o Comando Norte-americano da Base das Lajes. Foram acordos tripartidos que permitiram ao clube sobreviver e lançar uma democratização da modalidade inédita no panorama do golfe nacional. Ao contrário do continente ou mesmo de São Miguel, mais sob a influência do aristocrático e secular golfe britânico, na Terceira experimentou-se a massificação e descontração americana. O clube gosta de orgulhar-se de ter as quotas mais baratas do país e assegura que qualquer um pode jogar se quiser.

Mais recentemente, quando festejou o seu cinquentenário, tomou a forma de associação e candidatou-se a fundos comunitários europeus e a subsídios do Governo Regional que lhe permitiram encetar um programa de modernização.

Para o ano prevê-se a estreia do Ladies European Tour, com o I Azores Ladies Open na Terceira, mas, até ao momento, o Open 'Pro-Am' tem sido a grande competição na Ilha. Em 2008, realizou a sua 27ª edição e em muitos anos consegue uma forte participação de profissionais estrangeiros, embora seja quase sempre ganho por portugueses, tal como sucedeu este ano, curiosamente com dois açorianos nos dois primeiros lugares, Luís Índio e André Medeiros.

Luís Índio não é da Terceira, mas de São Miguel e este ano deu também aos Açores a alegria de ter um campeão nacional, na categoria de Seniores. Não é o único, uma vez que Ana Melo, da Terceira, foi campeã nacional de sub-18, um ano depois de ter feito o mesmo nos sub-16. Em 2007 e 2008 Ana Melo sagrou-se também vice-campeã nacional absoluta de amadores.

 

Mais campos no futuro

Em 1992, tornou-se necessário duplicar o número de buracos nas Furnas, tendo sido chamada para o efeito a empresa norte-americana Cameron & Powell, que voltou a ser contratada pelo VerdeGolf Country Club para os 27 buracos actualmente existentes nos três percursos de 9 buracos do campo Batalha. Os A e B nasceram em 1996 e foram oficialmente inaugurados em 1997, tal como o seu 'clubhouse', e o C foi apresentado em 2003. Bob Cameron fez um excelente trabalho nos desenhos das Furnas e da Batalha e no primeiro caso respeitou o espírito do golfe escocês de Macckenzie Ross.

O centro do golfe açoriano transitou desde 1996 da Terceira e das Furnas de São Miguel para o Batalha, em Capelas, nos arredores de Ponta Delgada, onde se disputou o Campeonato da Europa Individual Amador Feminino (EGA) de 2005, o Azores Seniors Open (European Seniors Tour) de 2008 e grande parte do SATA Azores Open (que chegou a ser o terceiro mais importante torneio de golfe português e que teve em 2007 a sua 23ª e última edição).

Em 2006, no ano em que os Açores ganharam o prémio de Melhor Destino de Golfe por Descobrir no Mundo, o VerdeGolf Country Club foi adquirido por uma parceria conjunta dos Grupos SIRAM e Oceânico, mas este último optou por desistir da aposta nos Açores em 2007, depois de ter virado as suas atenções para o Algarve, apesar de ainda ter contribuído para o lançamento da actual marca Azores Golf Islands.

Mais recentemente, o Grupo SIRAM anunciou uma parceria com a JVC Holding que inclui todos os projectos do Azores Golf Islands, incluindo futuros novos campos em São Miguel, Faial e em duas outras ilhas por definir.

Segundo dados divulgados por Duarte Ponte, o secretário Regional da Economia, no último Azores Seniors Open, «a aposta do Governo Regional no golfe é para continuar», rejubilando com «1,18 milhões de dormidas em 2007, quando há dez anos esse índice andava pelas 400 mil».

HUGO RIBEIRO 

 

Fernando Nicolau de Almeida
"...depois de uma noite bem passada, fui directo para o tee de saída, e, em frente a toda a assistência, dei um ‘fresh air', seguido de uma queda para trás"
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Francisco Bettencourt
"De repente, olhámos para trás e vimos um golfista a cair, tinha levado com uma bola."
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Teresa Matta
"Nisto aparece o Seve Ballesteros, que nos pede passagem, mas delicadamente insistiu que jogássemos aquele buraco com ele."
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