
Ao longo dos anos, o Campeonato Nacional de Empresas já angariou quase 70 mil euros para solidariedade. Em 2008, mais uma vez, cinco por cento do valor das inscrições será entregue a uma instituição de solidariedade social, que este ano é a SIC Esperança.
Tiago Cruz e Nuno Campino, dois dos melhores jogadores profissionais portugueses, já conquistaram títulos nos Açores e dizem como jogar nas Furnas e na Batalha, os dois excelentes campos que acolheram a Final Nacional Açores 2008.
Em comum, Tiago Cruz e Nuno Campino têm o facto de se terem sagrado por duas vezes campeões nacionais amadores absolutos, o primeiro em 2002 e 2005, o segundo em 1999 e 2004. Mas há mais: hoje são ambos profissionais e guardam boas recordações dos campos de São Miguel. Quem melhor do que eles, portanto, para falar dos dois palcos da Final Nacional do Expresso BPI Golf Cup?
Campino sagrou-se, em 2006, campeão nacional de profissionais no percurso das Furnas, 500 metros acima do nível do mar e a sete quilómetros da vila das Furnas, cuja principal atracção são as suas termas vulcânicas: "É importante andar muito direito no campo, pois este é estreito; e ‘patar' bem, porque os greens são pequeninos e, se uma pessoa estiver a 'patar' bem consegue enfiar um putt de qualquer parte do green em qualquer buraco. Esse vai ser o segredo", diz o vice-presidente da nova direcção da PGA Portugal.
Tiago Cruz é o campeão do Sata Azores Open, título conquistado em Outubro do ano passado na Batalha. Mas antes de o citar, convém referir que este campo, situado entre Ponta Delgada e a Ribeira Grande, tem três ‘loops' de nove buracos. Ora a Final Nacional foi disputada nos A+B (já as qualificações do Expresso BPI Golf Cup, em Maio, tinham-se jogado no C+A), que são os utilizados para o mais importante torneio do golfe açoriano, constituindo o seu "championship course".
Cruz, que este ano competiu no Challenge Tour e que vai representar Portugal, juntamente com Ricardo Santos, na World Cup, a realizar no final do mês na China, diz que o percurso da Batalha exigem um jogo completo por parte dos golfistas: "É preciso ser certeiro no drives e incisivo nos ferros, é preciso ter um bom jogo curto e ‘patar' bem." E lembra que a segunda metade (B), além de ser mais estreita que a primeira (A), é mais montanhosa e tem mais arborização, o que origina um contraste súbito de que muitos não estão à espera.
Campino foi terceiro classificado no último Sata Azores Open e por isso também está apto para falar sobre a Batalha. "É dos campos mais difíceis que já joguei até hoje", informa. "É comprido, ventoso. E é difícil controlar as distâncias para o green, porque eles são muito desnivelados, é raro haver um shot completamente a direito. Por isso, estamos sempre ou a tirar um ferro ou a pôr mais um ou dois ferros. O factor sorte também entra em jogo."
Um e outro concordam que o buraco mais difícil da Batalha é o 6, um par-4, stroke index 1. "É comprido, tem um tee elevado, joga-se lá para baixo e depois tem o green muito a subir. Costuma também estar vento contra, jogo driver-ferro 5", diz Cruz. E o mais exigente das Furnas? Campino diz que é o 8, um par-3. "Normalmente, o vento está da esquerda para a direita, mas do lado direito temos uma ravina que inverte e direcção do mesmo."
Cruz foi segundo classificado no Nacional ganho por Campino e também lembra, a propósito das Furnas: "Em vários buracos, as árvores, densas, não vão totalmente ao longo do campo - e nessas falhas podem surgir rabanadas de vento que fazem a bola fugir."
Quanto à areia vulcânicas dos ‘bunkers', obriga a uma adaptação por parte dos jogadores do Continente. "A areia é mais pesada, a bola sai mais morta, é preciso bater com um bocado mais de força, sobretudo nas Furnas", avisa Campino. " [A areia] É mais dura, mais compacta, tem de se bater um bom shot para a bola reagir bem", reforça Cruz.
Enfim, são dois campos completamente distintos, mas unidos pela beleza: o das Furnas, bucólico, misterioso, rodeado de diversos tons de verde por todo o lado e gigantescas criptomérias, a fazer lembrar os campos britânicos do interior, ou não tivesse a chancela do famoso arquitecto escocês Mackenzie Ross; do outro, um percurso ao estilo norte-americano, construído sobre pedra vulcânica, com buracos compridos e largos, ‘greens' ondulados e de grandes dimensões, lagos e o mar como pano de fundo. O cenário ideal para um fim-de-semana de golfe.
RODRIGO CORDOEIRO